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Gestor de TI e as pragas do Egito

Gestor de TI e as pragas do Egito

Afinal de contas, o que um gestor de TI tem a ver com as 10 pragas do Egito?

Há alguns anos trabalhei em uma das unidades fabris de uma grande companhia mineradora multinacional brasileira.

Naquela época, e acredito que até hoje, todos os líderes eram preparados, para ter uma visão do negócio, independente de qual tenha sido sua formação técnica.

Todos poderíamos ser alocados em áreas completamente distintas de nossa área original de atuação.
Em outras palavras, um gestor de TI poderia ser alocado em uma área de utilidades e vice-e-versa.

Geração de valor para o negócio

Todos fomos treinados em um modelo de gestão conhecido como GVA (Gestão de Valor para o Acionista), modelo criado nos Estados Unidos e adaptado para o Brasil pela consultoria FGV-EAESP, que adequou a metodologia às regras contábeis brasileiras.

A FGV-EAESP desenvolveu também meios de treinar desde gerentes até presidentes das empresas brasileiras, como pensar consistentemente em formas de gerar valor para o acionista.

Isso foi ótimo para minha formação como gestor, pois me capacitou a me comunicar menos através da língua de TI e mais através da língua do negócio nos diversos níveis da corporação.

Porém sempre fui reativo a ideia que gestores de TI, não precisam ter conhecimento técnico da área.

Sei da importância em desenvolver habilidades como comunicação, relacionamento, dentre outras, além da necessidade do conhecimento do negócio.

Porém nunca me convenci, que apenas essas habilidades seriam suficientes para a boa gestão do processo TI.

Na sopa de letrinhas que é o mundo de TI (ERP, BYOD, CLOUD, BIG DATA, BI etc) é quase impossível um gestor não ter o conhecimento mínimo de cada tecnologia para interagir com os fornecedores e ter como tomar decisões sem depender completamente de um especialista o suportando.

Logicamente não é necessário ter o conhecimento técnico de um implementador, mas seguramente é necessário o conhecimento básico do funcionamento de cada tecnologia, não somente conhecimento relativo às informações constantes das propostas técnicas.

Sem contar que uma boa experiência como técnico no passado, sempre facilita o entendimento dos problemas que surgem na implementação de cada solução.

Por que somente com TI?

Imagine se essa mesma corrente fosse levada a termo em outra área “meio”, assim como é a área de TI. Por exemplo a área financeira.

Imagine que você tivesse um grande gestor experiente em outra área, que não fosse a financeira e você decidisse nomeá-lo CFO de sua companhia.

Esta pessoa agora deverá liderar uma área, em que o conhecimento técnico e experiência são reconhecidamente diferenciais e onde um erro pode custar muito dinheiro.

Será que essa seria a escolha com menor risco a ser feita?

De volta a TI, um software pode funcionar de forma não prevista de diferentes maneiras, podendo causar também graves perdas, onde um estouro de orçamento talvez seja a menor das preocupações.

TI é uma área muito técnica com uma ampla variedade de conhecimentos técnicos necessários para sua gestão e operação, tanto quanto outras áreas também sensíveis, mas parece que para a TI, essa era a única forma de conseguir uma gestão competente alinhada com os objetivos do negócio.

O que ele disse mesmo????

Profissionais de TI tem uma tendência a falar termos técnicos em abundância em seus discursos. Ao menos esse é o estereótipo da área.

Mas será que somente nós falamos termos técnicos em profusão?

Alguém já participou de uma reunião com apresentações da área de marketing ou mesmo da área financeira?

Por que termos como: spread, transfer price, equity, prospects, budget, advertising dentre tantos outros, não assustam ninguém, quando ditos em reuniões corporativas, mas um simples termo que saia da boca de um gestor de TI, que esteja um pouco fora do português conhecido, faz recair as 10 pragas do Egito na sala de reunião?

Não seria um pré-conceito?

Mas na vida tudo muda!

Desde o início dos anos 2000 muitos articulistas escreviam sobre como era importante que os gestores de TI fossem mais voltados ao negócio e menos técnicos.

Na verdade nem mesmo técnicos da área precisariam ser.

Passados alguns anos e talvez após algumas experiências não tão bem sucedidas, o pensamento veio mudando.
Nos últimos anos você já lê diversos artigos em diversas fontes, afirmando que o conhecimento mais aprofundado da tecnologia deve sim ser um pré-requisito para um líder de TI.

Dois bons exemplos:

Em Maio de 2012, Bernard Golden no site CIO.com publicou o controverso artigo “CIOs Don’t Need to Be Business Leaders”, que gerou bastante barulho na época, onde menciona:

Dada a complexidade das aplicações atuais, é loucura sugerir que o futuro papel do CIO deva ser menos técnico e mais voltado ao negócio, mas sim o oposto, o lado negócio das corporações deve adotar a tecnologia.

Você não pode discutir tecnologia sem conhecer tecnologia. É fundamental que o CIO possua formação técnica suficientemente profunda para se sentir confortável para discutir assuntos referentes a tecnologias atuais. Alguém cuja familiaridade com tecnologia parou em 1986, ou cuja formação é em finanças, não pode atuar como líder da área de tecnologia da informação.

Na economia de hoje, os CEOs são obrigados a conhecer tecnologia. O fato é que os negócios hoje são negócios tecnológicos. A tecnologia da informação é fundamental para o que eles fazem. Algo tão fundamental para o sucesso de uma empresa impõe uma obrigação a um CEO de compreendê-lo. Afinal de contas, você acha que o CEO da GM se recusa a se envolver com o líder da manufatura em questões relativas à cadeia de fornecimento, mesmo sendo um assunto altamente técnico? Por que então um CEO pode ser esquivar de uma discussão de TI por ser um assunto altamente técnico?

Bernard Golden foi reconhecido pela Wired.com como uma das 10 pessoas mais influentes na área de computação em nuvem.

Em Junho de 2015, Hadley Baldwin no site ComputerWeekly.com publicou o artigo “The rapidly changing role of the CIO”, onde declara fatos como:

Segundo pesquisa da Forrester Research, onde foi perguntado quem seria o líder sênior mais indicado para dirigir e suportar as transformações nos negócios, a resposta foi o CIO à frente até mesmo do CEO.

Todos serão “tecnologistas” agora. É inaceitável que líderes de uma corporação hoje ainda possam dizer “não sei nada sobre tecnologia”. Tais habilidades não são requisitos mais apenas do CIO, mas também do CEO e dos demais membros do conselho.

Desabafo final

Atuo na área de TI há quase 30 anos. Já assisti a diversas tecnologias surgirem e sumirem tão rapidamente quanto um piscar de olhos.

Afirmo com todas as letras, o profissional de TI, em especial o gestor da área, que não se mantiver atualizado com tudo que surge a cada dia, não só em termos de tecnologia, mas também aos assuntos relativos à gestão, marketing e negócios, está fadado ao desemprego.

Certa vez um grande profissional de suporte da IBM, meu amigo Fábio Vasconcelos, que atuava em um dos contratos de outsourcing que tive oportunidade de gerenciar, após uma das muitas discussões técnicas em que sempre acabava me metendo, se virou para mim e disse:

– Ainda corre sangue de técnico nas suas veias.

Lembro sempre disso com muito orgulho e creio que realmente isso me faz um gestor muito mais preparado para o meu dia a dia.

Que venham então as novas tecnologias, novos processos de gestão, novas formas de marketing e novos negócios.

 

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